2013-04-29

Sequência, Ruptura, Recompensa e Controlo.

Colocar as ideias em ordem não é uma tarefa fácil mas também não é uma tarefa difícil se realmente as houver vontade de as arrumar e elas se deixarem arrumar. 

É uma arrumação individual. Podem existir outros tipos de arrumação mas esta é individual  A forma como se percebe o interior e o exterior e resulta na aplicação dessa descoberta àquilo ou àqueles que pretendemos influenciar ou escolher ignorar. Não se pode ignorar, no entanto, que cada escolha tem sempre consequências individuais e colectivas mesmo que apenas digam respeito ao individuo e que mais ninguém as venha a conhecer.

É com esta intenção, intensa nas palavras mas suave na aplicação - pois esta depende da correcta percepção de todas as variantes e nuances daquelas - que resulta o texto que se segue.


Sequência


O ser humano é uma criatura de sequências. Precisa de sequências para tirar algum sentido da vida. Tudo gira em torno de sequências. O tempo gira em torno de ciclos de tempo.

Algumas sequências parecem aleatórias e, mesmo que interrompam uma sequência predeterminada, revelam-se sequências em si mesmas. Isto é o que o ser humano deseja, pois permite criar outras sequências. Essas sequências aleatórias são o que o ser humano se recorda com maior frequência ao longo da sua vida e são necessárias para o aumento da personalidade individual. É por isso que ansiar por elas é condição inerente ao ser humano.


Ruptura

A manutenção de sequências é um factor importante no desenvolvimento da personalidade tal como a existência do sistema de recompensas é essencial para um bom funcionamento pessoal e em sociedade.


No entanto é a ruptura desses dois factores - sequências e recompensas - que determina quem realmente é o ser humano enquanto indivíduo. A forma como o ser humano lida com essa ruptura é a verdadeira ontologia da personalidade enquanto individuo e enquanto membro da sociedade.


Recompensa

Desde o momento em que entra neste mundo até ao momento em que deixa de existir, toda a atenção está centrada na recompensa. Nada que o ser humano faça se encontra despido de qualquer interesse próprio que o recompense de alguma maneira.

Por vezes, a única recompensa é a sensação de bem-estar provocada pela ajuda/recompensa a alguém, mesmo que esse alguém nada tenha feito para ser recompensado.

O importante é encontrar o equilíbrio entre recompensar e ser recompensado por qualquer acção ou falta dela. A única responsabilidade do recompensado é o compromisso de não se acomodar e, pelo menos, partilhar o bem-estar de ser ajudado.


Controlo

São as sequências e as recompensas que determinam as escolhas do ser humano: o poder de decidir sobre elas. Essas escolhas são limitadas pela compreensão da conjuntura determinada pelas sequências e pelas recompensas.

Porém, o verdadeiro poder reside no controlo das sequências e recompensas através da percepção da influência das sequências e recompensas a nível individual e colectivo inseridos num espaço e num tempo. Mais uma vez torna-se necessário encontrar equilíbrio entre o individual e o colectivo.

Só pelo controlo desse equilíbrio o ser humano pode evoluir enquanto colectivo. Só assim se pode construir a humanidade e a sua consequência: a civilização.